Mutirões ajudam atingidos pela chuva na Grande São Paulo

No entorno da Avenida do Estado, entre a capital e São Caetano, o drama dos afetados pela chuva impulsionou mutirões de ajuda nesta segunda-feira, 11. De carro ou a pé, os grupos ofereciam alimentos, itens de higiene pessoal, ração para animais e água. E contavam o número de moradores das casas para retornar com marmitas. “Tem muita gente cozinhando”, disse a servidora pública Beatriz Mayumi, de 34 anos.

Dona de um restaurante, Erica Cristina Cometti, de 38 anos, circulava na tarde desta segunda com uma amiga, a secretária Mary Fernandes, de 34 anos, para anotar o telefone de atingidos. O objetivo era de preparar jantar para eles. “Também estou arrecadando alimentos. Fizemos isso em 2018, quando teve um incêndio”, disse Mary, segundo o Terra.

Elas passaram na casa da aposentada Arani Rizo, de 67 anos, 30 deles na Avenida do Estado. No local, era necessário servir refeição para duas pessoas: a aposentada e sua filha. Arani entendeu a dimensão do alagamento quando a água passou por cima da comporta que tem em casa. “Já tivemos outras enchentes, mas nunca aconteceu nessa altura. Perdi geladeira, micro-ondas, fritadeira, aparelho de som. Tudo. Foi terrível.”

Na região, onde duas pessoas morreram, era possível ver uma montanha de móveis e entulho na porta de quase todas as casas. Moradores tiravam a água de dentro de casa e, na avenida, o asfalto desapareceu, coberto pela lama seca. Eles relatam que a água começou a subir por volta das 20h30 e, rapidamente, já não era possível ver a via, que foi tomada pela correnteza.

O metalúrgico Ademir Cassemiro, de 39 anos, conta que ouviu, durante a madrugada, os gritos de socorro de um homem. Até pensou em sair para ajudar, mas desistiu. A mulher o alertou sobre a força da água naquele momento. “Ele encostou no muro e pediu socorro. A vizinha jogou uma mangueira, porque não tinha corda, mas não dava para puxá-lo. Ela foi uma heroína e ele lutou muito pela vida. Só que não teve como salvá-lo.”

Cassemiro diz que o homem não era morador do bairro. Parentes que foram ao local disseram, segundo ele, que a vítima morava em uma comunidade nas imediações e passava pela região após visitar familiares em Heliópolis. O metalúrgico mora há 15 anos na Avenida do Estado e diz que, em 2008 e há cerca de dois anos, presenciou enchentes na região, no entanto, elas não causaram tanto prejuízo.

“Essa foi a pior de todas. A água subiu das outras vezes, mas, agora, perdi sofá, armário, guarda-roupa, geladeira e fogão. Estou com os braços machucados de recolher as minhas coisas.” A reportagem percorreu a Avenida do Estado nesta segunda e se deparou com um cenário de destruição. Grades e árvores estavam cobertas por plásticos, casas e lojas tinham lama, mato e entulho. Nos postos de gasolina, havia carros aglomerados.

A vendedora Josilma Barbosa, de 49 anos, não conseguiu levar seus pertences para o andar de cima do sobrado onde mora há dez anos. “É assustadora a velocidade que isso acontece. A correnteza estava muito forte. Só via a água levando os carros.”

Mesmo perdendo seus pertences, ela abriu sua casa para motoristas que ficaram ilhados. “Umas 25 pessoas passaram a noite na minha casa.” No trecho, carros cobertos de lama se amontoavam. Um deles era do pastor João Domingos, de 66 anos, que foi resgatado por bombeiros. Quando a água cobriu a via, ele resolveu abandonar o veículo onde estava com a mulher e, acompanhando outros motoristas, se refugiou em uma área suspensa na entrada de São Caetano do Sul.

“Fui resgatado às 3h40. Saí andando na água com ajuda de dois bombeiros. Meu filho estava preocupado e só foi saber de mim às 8 horas. O celular já era. Isso acabou com computador, som, tablet, microfone e tudo que estava no carro.” Domingos, que voltava de um culto quando ficou preso na região, diz que recebeu ajuda de moradores de condomínios do entorno. “Eles abasteceram a gente com água, alimentos, lençol e cobertor.”

12/03/2019


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